060. Harmonias acidentais
Informações sobre o curso – Paul Arthur, “O ressurgimento da História e o filme-ensaio de vanguarda” (1989)
O curso online As duas vanguardas: novos cinemas, nova crítica começa no dia 02/06. As inscrições para as aulas em português devem ser feitas neste formulário, e para as aulas em inglês neste formulário. Lembrando que a inscrição é confirmada somente quando for realizado o pagamento.
As inscrições podem ser feitas até o início das aulas. Mas em breve os alunos devem receber o acesso ao drive com os materiais – os filmes e textos a serem discutidos –, e como é um curso bastante voltado à leitura e à discussão dos textos, uma inscrição em cima da hora significa menos tempo para conferir os materiais da primeira aula.
O texto a seguir é uma tradução minha do artigo “The Resurgence of History and the Avant-Garde Essay Film”, de Paul Arthur, publicado originalmente em 1989 na revista Frame/Work, e incluído depois em sua coletânea A Line of Sight: American Avant-Garde Film since 1965 (Minneapolis: University of Minnesota Press, 2005).
O ensaio faz parte da bibliografia do curso, e é representativo de algumas discussões que serão abordadas durante as aulas. Entre elas, o que Arthur chama de “lugar histórico da recusa da História”: um momento-chave na evolução do cinema experimental dos Estados Unidos quando há uma espécie de passagem de bastão de um cinema predominantemente lírico a um cinema que logo foi chamado de “estrutural”, um processo com tensões evidentes, mas cuja recepção privilegiou o caráter abstrato, autônomo, quase isolacionista dos filmes, como se blindassem essas composições de um contato mais direto com a realidade social.
Assim como o livro de David James, Allegories of Cinema (1989), a coletânea de Arthur serve como um dos grandes complementos ao Visionary Film (1974) de P. Adams Sitney. Até hoje, são as mais ambiciosas tentativas de responder à concepção romântica de Sitney com uma elaboração voltada às inúmeras relações entre as obras e o seu contexto. O esforço de revisar criticamente esse modelo pode ser caracterizado pelos tópicos que Arthur identifica como recorrentes: “o legado da contracultura dos anos 1960; o uso e a implicação teórica do found footage; a alegorização da tecnologia; as interseções entre as histórias pessoal e social; a cisão filosófica entre tropos poéticos, expressivos, e a tendência anti-subjetiva e racionalista dos filmes estruturais”.
Outra questão, também central para o curso, é a emergência do “filme-ensaio de vanguarda”, uma das faces da virada que ocorre nos anos 1970 com as “Novas Narrativas” que pareciam sintetizar o foco autobiográfico, o jogo combinatório das estruturas, e um olhar sobre a História. Os argumentos do texto culminam em uma análise excepcional de American Dreams (James Benning, 1984), mas é importante que, para Arthur, as raízes do filme-ensaio estejam no cinema francês moderno, em nomes como Alain Resnais, Jean Rouch e Chris Marker. A comunicação dispersa e acidentada entre a linhagem anglófona e a francesa da crítica, bem como a polarização entre uma abordagem “idealista” e outra “materialista” nos dois campos, definem o próprio recorte das “duas vanguardas”, e nesse sentido aproximam as discussões trazidas por Arthur de uma das pautas da edição 8-9 da Foco. Como uma tentativa de elaborar essas discussões, vamos retomar alguns textos da edição para dar a eles um contexto mais detalhado e uma bibliografia mais ampla, conferindo também alguns de seus desdobramentos nos últimos anos. Em uma lista no Letterboxd, incluí os filmes que devem fazer parte desse trabalho.

